História
de amor
por Curitiba

Rafael Greca
Prefeito de Curitiba

Um piá curitibano, filho dos professores Therezinha Greca de Macedo (normalista) e Eurico Dacheaux de Macedo (engenheiro civil, cálculo numérico).

Aprendi com o meu avô, Manoel Valdomiro, único que conheci, um profundo amor pela nossa terra e nossa gente, de Curitiba, do Paraná e do Brasil. Ele também me ensinou que a história é a mestra da vida, que somos o bem que fazemos. Nos dias em que fazemos o bem, existimos. Nos outros apenas duramos.

Aprendi com minha mãe, na deliciosa e animada casa das minhas tias e tios, todas as tradições das nossas raízes italianas. Das delícias, de um pão feito em casa, um macarronada feita à mão até sobre como se descobre a “seda da pedra”. A forma de colocar dinamite num maciço de granito, num determinado ângulo, em direção ao Sol nascente, para debastar um rochedo, remover obstáculos, pavimentar caminhos.

Fiz o curso primário na Escolinha Tia Paula, colégio social dirigido por dona Paula Pedroso do Amaral, cujas mensalidades mantinham a primeira creche de Curitiba, batizada de Creche Ana Messias, memória da mãe do dr. Victor Ferreira do Amaral, fundador da nossa Universidade Federal do Paraná.

Fiz o Ensino Médio no Colégio Nossa Senhora Medianeira, no bairro do Guabirotuba, dirigido pelos padres Jesuítas, insistentes em nos exortar as boas obras, tudo pela maior Glória de Deus, como ensino Santo Inácio de Loyola.

Joguei betes, pulei amarelinha, desci de carrinho de rolimã a rua Almirante Barroso, desde o topo da ladeira que termina nas Ruínas de São Francisco.

Pelas mãos de tia Chiquita e do avô, Valdomiro, fui iniciado na biodiversidade do Brasil em deliciosas visitas ao nosso Passeio Público, arrematadas por passeios de carrossel no Parque Alvorada, ou por sessões de matiné no circo dos Irmãos Queirolo.

Nas férias, como sempre passava por média, enfrentava os longos dias de tédio, numa caminhonete Ford “Marta Rocha”, indo ver serviços nas pedreiras da Borda do Campo, e de Piraquara, ou nas ruas de Curitiba, obras tocadas com maestria e muito suor pelo meu tio Angelim.

Vez por outra meu pai me convidava a longos viagens de trabalho, a serviço do DER (Departamento de Estradas e Rodagem) por um Paraná de fértil terra vermelha, que começava a ganhar caminhos pavimentados. Meu pai engenheiro então me iniciou na profissão que escolheria. Cursei Engenharia Civil e Economia, respectivamente, na Escola de Engenharia da UFPR e, no período noturno, na Fundação de Estudos Sociais do Paraná.

Nos intervalos, sonhava. Acredito até hoje que somos feitos da mesma matéria dos sonhos. Publiquei poesias e contos nos livros lançados pela Fiel, obra do Padre Afonso de Santa Cruz, que estimulava a boa leitura entre os jovens curitibanos. Em 1975, lancei meu primeiro livro “Cada um cai do bonde como pode”, apaixonado relato sobre os tipos populares famosos em Curitiba. Mais tarde os recordaria no meu livro da vida toda, “Curitiba – Luz dos Pinhais”, publicado pelo Solar do Rosário, em 2016.

Ainda estudante, fui trabalhar, a convite do então prefeito Jaime Lerner, na Casa Romário Martins, um dos embriões da Fundação Cultural de Curitiba. Era minha credencial o conhecimento da tradição curitibana transmitida por meu avô Valdomiro, somado aos relatos que ouvi pessoalmente de grandes figuras quais os professores Maria Nicholas, Julio Moreira, David e Newton Carneiro, Erasmo e Osvaldo Piloto, Carmem Carneiro e Helena Kolody, e até o bispo, primo de minha mãe, dom Jerônimo Mazarotto, fundador da Pontificia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).

Isto nos levou a criar a Casa da Memória, o Museu de Arte Sacra da Igreja da Ordem, a restauração do nosso templo mais antigo (1737). Foi então que conheci Margarita.

Chegada da Europa, onde havia estudado na Itália Arqueologia e História da Arte, vi na linda moça de olhos imensos e sorriso largo aquele que seria o amor da minha vida. No primeiro encontro, na Galeria de Arte Acaiaca, junto ao Relógio das Flores, no Alto de São Francisco, seu colo estava ornamentado por borboletas azuis. Foi o alhumbramento que persiste até hoje.

Trabalhei no IPPUC, fui eleito vereador em 1982, na primeira eleição da redemocratização do Brasil, depois fui deputado estadual por dois mandatos, elegemos o Jaime Lerner em 12 dias, e acabei conseguindo ser o seu candidato a sucessão. Vencemos a eleição de 1992. A maioria do povo curitibano me escolheu no primeiro turno o prefeito dos 300 Anos da Cidade.

A gestão 1993-1996 nos valeu o Prêmio Mundial do Habitat, da Organização das Nações Unidas, pelo conjunto da obra humanitária realizada. Foi a ocasião de fazermos o primeiro Restaurante Popular do Brasil, a primeira Pousada de Maria – casa para mulheres vítimas de violência doméstica acompanhadas ou não de seus filhos – as primeiras 6 Ruas de Cidadania, os Faróis do Saber. Aquele era o tempo do Lixo que não é Lixo, da reciclagem pioneira, do orgulho pela Capital Ecológica, da chegada dos biarticulados vermelhos. Foi também a ocasião de abrirmos o Bairro Novo do Sitio Cercado, o povoamento do Tatuquara com as moradias Santa Rita e a Gleba da Ordem. Foi o momento da criação dos Postos de Saúde 24 Horas, hoje UPAs, e da Farmácia Curitibana, na primeira cidade do Brasil a preconizar o SUS, distribuindo 140 remédios gratuitos.

Foi o tempo de criarmos e inaugurarmos os parque Tanguá e Tingui, dos Tropeiros e da Fazendinha, os Bosques Alemão e de Portugal, a Fonte de Jerusalém, o Pagode da Praça do Japão, o Memorial Árabe, o grandioso Memorial de Curitiba. Na Pedreira Paulo Leminiski acendemos milhares de velas na noite evocativa de 300 Anos de Luz, enquanto o tenor José Carreras solava a Orquestra Sinfônica Brasileira.

Toda a beleza foi arrematada por um intenso trabalho em busca da Justiça Social, praticada de forma inovadora pela FAS, criação amorosa da minha Margarita. O mais belo é o mais justo.

Trouxe este conceito para minha segunda gestão na Prefeitura, que está se cumprindo neste 2020.

Entre ambos os mandatos fui Chefe da Casa Civil do Paraná, Secretário de Estado de Planejamento, Deputado Federal proporcionalmente mais votado do Brasil em 1998, Ministro de Estado do Esporte e Turismo. Coordenei o Comitê de Ministros do Brasil e Portugal, por honrosa indicação dos presidentes Fernando Henrique Cardoso e Mário Soares, na ocasião dos 500 Anos do Brasil, no ano 2000.

Fui Deputado Estadual em 2003, e presidente da Cohapar entre 2007 e 2010, ocasião em que fiz bairros novos na Vila Zumbi dos Palmares, no Jerivá de Pinhais, no Guarituba de Piraquara e na Bela Vista de Campo Magro. Além de 32 mil casas populares em todos os municípios do Estado.

Em 2016, vendo o abandono da nossa população, entregue ao desalento de uma prefeitura endividada que nada podia, me lancei candidato com a proposta de que Curitiba voltasse a ser Curitiba.

Passados quatro anos, a cidade recuperada, a prefeitura em ordem, a pandemia derrotada com muito trabalho, livre do colapso de saúde, nossa Cidade com classificação letra A da Secretaria do Tesouro Nacional, sou candidato à reeleição.

Entrego meu futuro nas mãos dos habitantes
desta cidade inteligente, que tanto amo.